A 1ª Feira de Arte e Design do Sudeste Goiano foi idealizada e aprovada em 2017, no Edital de Artesanato do Fundo de Arte e Cultura de Goiás. Por atrasos em repasses, o pagamento aconteceu em 2021 e a realização se deu nos dias 09 e 10 de dezembro de 2021, em contexto pandêmico e distanciamento social, com transmissão pelo canal da Skambau Produções no YouTube.
O projeto foi adaptado integralmente para o formato remoto, com realização da Skambau Produções, que fez o mapeamento regional com as associações de artesanato no Sudeste goiano, com lançamento de edital para seleção e produção de vídeos para divulgação e comercialização de seus produtos, o planejamento estratégico, a elaboração do projeto e gestão integral do processo – submissão do projeto, execução e prestação de contas. Como apoio, contamos com a Associação das Artesãs de Orizona (ASDAO), a É Nóis Ki Tá Produções e o Sistema do Artesanato de Goiás.
O evento teve como objetivo impulsionar o cenário do artesanato goiano, dando protagonismo à região Sudeste e fortalecendo as possibilidades de renda da população a partir da produção artesanal. A feira reuniu 24 expositores, selecionados em processo que contemplou artesãs da região da Estrada de Ferro. Assim, estiveram presentes representantes dos municípios de Catalão, Corumbaíba, Cristianópolis, Ipameri, Leopoldo de Bulhões, Orizona, Santa Cruz de Goiás, São Miguel do Passa Quatro e Três Ranchos. Parte dos recursos que seriam utilizados para estruturação física da feira, foi revertido para a premiação de R$400,00 de todas as selecionadas no Edital e, assim, a distribuição de renda em um momento difícil da vida, do trabalho e das famílias.
A feira promoveu uma rica troca de experiências, com foco no artesanato, no design e na arte em geral, além de reflexões sobre estratégias de comercialização dos produtos. Além disso, foram realizadas rodas de conversa e oficina com a participação de Décio Coutinho, Milena Curado e Rochelle Silva, que integraram a programação de 2 dias de programação.
No dia 9 de dezembro de 2021, aconteceu o primeiro encontro virtual da Feira, com abertura oficial e apresentações culturais. Durante o evento, a artesã Maria Isabel Lopes apresentou a Associação das Artesãs de Orizona (ASDAO), enquanto Rosane Martins representou a Secretaria de Estado da Retomada (SER). Também participaram Flávio Pereira, então secretário de Cultura de São Miguel do Passa Quatro, e Kátia, coordenadora de projetos.
Após as falas institucionais e a apresentação dos parceiros que apoiaram a realização da 1ª Feira, foi conduzida uma roda de conversa intitulada “Diálogos sobre a Rede de Artesanato Goiano”, com a participação de Décio Coutinho, Maria do Cerrado e Rosane Martins. Nesse espaço, foram discutidos os desafios e perspectivas para a produção artesanal na região.
Na ocasião, Décio Coutinho destacou a importância das políticas públicas de fomento ao artesanato, ressaltando que devem ser estruturadas para valorizar e desenvolver as comunidades. Ele também abordou o Sistema de Artesanato de Goiás, reforçando a necessidade de integração com instituições que realizam atividades de apoio ao setor. Já Maria do Cerrado, na época vice-presidente da Associação de Trabalho dos Artesãos do Estado de Goiás (Cartago), enfatizou a relevância de valorizar o artesanato produzido no estado.
Ainda durante o encontro, ocorreu a roda de conversa “Design como processo criativo e valorização da arte”, mediada por Milena Curado e Rochelle Silva. Graduada em Moda e Design, Rochelle apresentou sua experiência com sustentabilidade e reaproveitamento de materiais na produção artesanal. Milena, por sua vez, compartilhou seu trabalho manual com uso de recursos do cerrado, destacando como integra a natureza em suas criações.
A transmissão ao vivo ocorreu das 19h às 22h, com a exibição de vídeos que apresentaram os trabalhos de artesãos e artesãs da região. Na ocasião, a vice-presidente da Associação de Trabalho dos Artesãos do Estado de Goiás (Cartago), Maria do Cerrado, destacou a produção artesanal da cidade de Goiás, ressaltando a riqueza cultural e a identidade preservada nas peças.
Em seguida, Telma de Jesus Caixeta, artesã integrante da Associação das Artesãs de Orizona (ASDAO), falou sobre as criações do grupo, ressaltando como a herança familiar vem sendo transmitida de geração em geração e fortalecendo o trabalho exposto na loja da associação em Orizona. Durante a transmissão, também foram exibidos vídeos individuais com os trabalhos das artesãs participantes do projeto. Os links e descrições de cada artesã estarão disponíveis no último tópico dessa página.
O segundo dia de atividades, 10 de dezembro, contou com o Terceiro Encontro Virtual, iniciado às 9h, com a roda de conversa “Artesanato e mercado: a importância estratégica do design na produção artesanal com respeito às identidades culturais locais”, conduzida por Décio Coutinho e Rochelle Silva. Décio apresentou reflexões sobre a necessidade de estratégias de comercialização e de tornar os trabalhos mais atrativos no mercado. Rochelle, por sua vez, destacou como o território e a identidade cultural podem inspirar e diferenciar as peças artesanais, sobretudo quando combinados com novas técnicas e aprendizados.
Na sequência, entre 10h30 e 12h, ocorreu a roda de conversa “Comercialização de Arte e Design”, mediada por Milena Curado e Rochelle Silva, que abordou técnicas e ferramentas de gestão e distribuição dos produtos. Um dos pontos discutidos foi a importância da qualidade das peças aliada a uma conexão simbólica com o cliente, fator que garante diferencial competitivo e amplia as oportunidades de comercialização.
O quarto encontro da 1ª Feira de Arte e Design do Sudeste Goiano, transmitido ao vivo em 10 de dezembro de 2021, ocorreu das 16h às 18h e teve como tema “Diálogo sobre Cozinha e Artesanato – Artes feitas à mão: Alianças, Feiras e Festivais de Gastronomia em Goiás”.
O encontro contou com a presença de Décio Coutinho, Telma Caixeta, José Natal, e teve a mediação de Manoela Barbosa. Durante a apresentação, Décio abordou a relação entre artesanato e gastronomia regional, destacando a riqueza cultural da região e as alianças que se formam por meio de feiras e festivais de gastronomia em Goiás. Ressaltou a importância da produção local, especialmente em Orizona, que se destaca na bacia leiteira, onde o leite sustenta famílias e incentiva a produção de doces de leite e outros produtos tradicionais. O debate evidenciou como a economia cultural da gastronomia pode se articular com o artesanato, fortalecendo o território e promovendo a valorização das tradições regionais.
Além disso, foi destacado que o artesanato e a produção local na região da Estrada de Ferro, abrangendo não apenas Orizona, como também Corumbaíba, São Miguel do Passa Quatro e outros municípios participantes da feira, refletem marcas culturais que se somam à produção artesanal, seja em peças ou na gastronomia. Esses elementos demonstram o diferencial da região por meio da arte e da tradição, valorizando o patrimônio cultural local.
O quinto e último encontro virtual da feira aconteceu em 10 de dezembro de 2021, com a participação de Manoela Barbosa, coordenadora do projeto, e das artesãs Diva Maria Gomes de Brito e Telma Caixeta, integrantes da ASDAO, que conduziram a primeira parte do encerramento. Também participaram do momento de encerramento Maria Isabel Lopes e Cleide Maria de Araújo Pinheiro.
O encerramento contou ainda com a exibição do filme “Bordando Cidadania: 12 anos de Projeto Cabocla”, que retrata o Projeto Cabocla, iniciado em 2008 na cidade de Goiás. O projeto utiliza o bordado tradicional brasileiro como ferramenta de capacitação profissional e reintegração social de pessoas reeducandas em unidades prisionais, promovendo cidadania e transformação social por meio da produção artesanal de moda.
O principal objetivo foi fomentar a produção artesanal no estado e mobilizar a criação de uma rede do artesanato goiano, tendo como protagonistas os próprios artesãos e artesãs de Goiás.
Confira a exibição:
Artesã da ASDAO, Sônia iniciou no artesanato como forma de complementar a renda familiar e, com o tempo, transformou essa atividade em uma verdadeira paixão. Seu trabalho se destaca pelo uso criativo de elementos do Cerrado, como flores desidratadas, além da reutilização de materiais reciclados, unindo sustentabilidade, sensibilidade e identidade cultural em cada peça produzida.
Artesã de tradição, Maria Terezinha aprendeu a bordar e fazer crochê com a avó, atividade que desde cedo utilizou de forma comercial. Em 2002, ao dominar o tear, passou a produzir tapetes e toalhas; já em 2004 iniciou o trabalho com fibras de bananeira e palha de milho, ampliando suas técnicas e fortalecendo sua identidade artesanal. Fundadora da ASDAO, Maria Terezinha é uma das grandes apoiadoras do artesanato local. Ao longo de sua trajetória, incentivou e possibilitou viagens para que outras artesãs expusessem seus trabalhos, contribuindo para a geração de renda e valorização do ofício em Orizona.
Atribuindo ao artesanato um verdadeiro dom e fonte de bem-estar, Márcia reconhece como esse ofício transformou sua vida. Além de atuar na produção de peças, dedica-se a ensinar o artesanato a outras mulheres, fortalecendo a autonomia financeira e a qualidade de vida de quem aprende. Para ela, o artesanato é um caminho de transformação individual e coletiva, capaz de gerar renda e promover dignidade.
Com mais de 15 anos de experiência no artesanato, Fernanda encontra na natureza do Cerrado a principal inspiração para suas criações, utilizando materiais naturais em suas peças, de mini jardins e coque damas. Para ela, o artesanato é um meio de expressão e transformação, capaz de abrir caminhos para que mulheres possam divulgar seu trabalho, conquistar autonomia financeira e fortalecer sua identidade cultural.
Crocheteira desde a infância, Érika expandiu suas habilidades para ponto cruz e pintura, incorporando técnicas diversas ao seu trabalho. Sempre atenta às tendências atuais, ela combina elementos da moda com suas peças, especialmente em crochê, criando produtos que unem tradição artesanal e inovação estética.
Artesã desde a infância, Cleide é apaixonada pelo trabalho manual e acredita no poder terapêutico do artesanato. Ao longo de sua trajetória, dedicou-se a oferecer treinamentos e cursos para outras artesãs, além de articular feiras e mobilizar a população em prol da valorização do artesanato no município, fortalecendo a cultura local e promovendo oportunidades de geração de renda.
Aprendeu com a avó a confeccionar colchas de crochê e pequenas peças para venda, passando longos dias ao lado dela, aperfeiçoando técnicas e aprendendo os detalhes do ofício. Sob orientação da avó, também aprendeu a fazer seu próprio enxoval de casamento. Após se tornar viúva, utilizou todo esse conhecimento como fonte de renda, transformando o artesanato em meio de sustento da família e expressão de sua habilidade manual.
Artesã da ASDAO, aprendeu o ofício com a mãe, que trabalhava com bordado como fonte de renda. Apesar de ter atuado como professora, após a aposentadoria retornou ao bordado e à prática do artesanato, aplicando seus conhecimentos de forma criativa. Ela reconhece que a realização de cursos e oficinas contribuiu significativamente para aprimorar seu aprendizado e técnicas artesanais.
Com 90 anos, José dedica-se ao trabalho manual com precisão e cuidado, reconhecendo o bem-estar que o artesanato proporciona à sua vida. Para ele, a atividade artesanal não é apenas um ofício, mas um verdadeiro dever diário, unindo disciplina, paixão e satisfação pessoal.
Trabalha com artesanato desde os 12 anos, inicialmente sem a pretensão de transformá-lo em profissão. Formada em Moda, ela integrou o artesanato ao seu conhecimento técnico, fortalecendo sua prática profissional e criatividade. Atualmente, também atua no CAPS, conduzindo oficinas de artesanato com materiais reciclados, promovendo aprendizado, inclusão e sustentabilidade.
Artesão e fazedor de cultura, Luís Fernando Souza mantém viva a tradição das máscaras de papel utilizadas na Festa do Divino em Santa Cruz de Goiás. Com habilidade e dedicação, ele produz peças que expressam a identidade e a força do festejo popular, além de colaborar com as Cavalhadas do município. Além de criar, Luís já compartilhou seu saber com outras pessoas da comunidade, ensinando o ofício e garantindo que essa tradição continue passando de geração em geração.
Dona Jerônima Antônia Batista, artesã de Corumbaíba, utiliza os recursos do cerrado, como a palha da bananeira, para desenvolver seu trabalho artesanal. Com criatividade e sensibilidade, produz caixas, colares, cestos e joias, além de bolsas e sacolas costuradas por ela mesma. Ao longo dos anos, aprimorou sua arte por meio de cursos e, com muita dedicação, consolidou sua trajetória como artesã.
Ainda na infância, Hirma Maria Costa aprendeu o ofício com sua mãe, que cultivava algodão, colhia, descaroçava, tingia e tecia no tear o próprio material. Esse contato despertou nela o amor pelo trabalho artesanal. Com o tempo, Hirma dominou o crochê, iniciando com peças maiores, como tapetes, e aprimorando seus pontos até se dedicar à criação de bolsas. Hoje, produz peças autorais que expressam sua arte e as comercializa por meio de suas redes sociais.
Para esta artesã, o artesanato trouxe benefícios para a saúde emocional, ajudando-a a reduzir a ansiedade. Enquanto auxiliava a irmã no trabalho manual, descobriu a alegria de criar novas peças, desenvolvendo gradualmente seu próprio estilo e aprimorando suas técnicas artesanais.
Trabalha com crochê há mais de 10 anos, criando desde tapetes até bonecos do tipo amigurumi. Sua prática combina habilidade, criatividade e dedicação, resultando em peças únicas que refletem sua experiência e paixão pelo ofício.
Andreia trabalha com crochê e atribui sua trajetória ao agradecimento a Deus, pois não se imagina exercendo outra atividade. Seu trabalho reflete dedicação, amor pelo ofício e conexão com a tradição artesanal local.
Para Vera, o artesanato começou como terapia para lidar com depressão e ansiedade. Apesar da dificuldade de baixa visão, ela realiza seu trabalho com dedicação e criatividade. O artesanato contribuiu para o desenvolvimento de sua autoestima, proporcionando bem-estar, autonomia e expressão pessoal.
Artesã da ASDAO, Maria Isabel começou a aprender o ofício ainda na infância, na zona rural onde cresceu. Seu trabalho se destaca pelo uso de materiais naturais do Cerrado e materiais reciclados, unindo criatividade, sustentabilidade e identidade cultural em cada peça.
Artesã da ASDAO, Tema reconhece o artesanato como parte essencial da cultura local em Orizona. Para ela, o ofício também representa uma forma de construção de autonomia financeira para mulheres, fortalecendo a identidade cultural e promovendo oportunidades de renda.
Aprendeu a técnica de macramê com sua mãe e, após a perda dela, dedicou-se ao trabalho manual como forma de curar a dor da perda. Ao longo do tempo, transformou essa prática em uma fonte de renda, unindo expressão pessoal, memória afetiva e sustento por meio do artesanato.
Como curiosidade de infância, Pamella aprendeu o ofício aos 8 anos com a avó e a madrinha. Ao perceberem sua paixão pelo artesanato, seu pai passou a apoiá-la, matriculando-a em cursos. Desde então, Pamella continuou a se dedicar ao aprendizado de novas técnicas, como o tricô, ampliando seu repertório e aprimorando sua prática artesanal.
Inspirada pelas composições que sua mãe e tias produziam para a escola, Ida desenvolveu desde cedo seu conhecimento e paixão pelo artesanato. A natureza é sua principal fonte de inspiração, influenciando suas criações e fortalecendo sua conexão com o Cerrado e a cultura local.
Após uma visita a uma olaria e em meio à pandemia de Covid-19, Débora iniciou seu trabalho com barro, inspirando-se na natureza ao seu redor. Atualmente, é artesã dedicada e sonha em ensinar a técnica a outras pessoas, contribuindo para que mais pessoas possam trabalhar com artesanato e desenvolver habilidades manuais.
Pedagoga e artesã, Cleide aprendeu crochê aos 10 anos e mantém a prática há mais de 40 anos. Ao longo de sua trajetória, ampliou seus conhecimentos realizando diversos cursos de artesanato e, atualmente, dedica-se também a ensinar o ofício, transmitindo técnicas, experiências e incentivando novas gerações de artesãos.